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PROJETO - LIBERDADE

Estudos e pinturas sob o tema «Liberdade de Linha e Forma: do abstrato ao figurativo», no âmbito da disciplina de Arte e Projeto, no ano letivo de 2024-25.

Este projeto para uma exposição temática sobre a «LIBERDADE» inclui trabalhos que constituem  uma celebração da expressão artística através do diálogo entre traço, cor e materialidade. Esta mostra reúne obras que exploram a fluidez das formas e a vitalidade das linhas, criadas em suportes tão singulares quanto o papel artesanal nepalês Lokta — conhecido por sua textura única e resistência —, além de uma peça tridimensional que pretende estabelecer uma ponte entre as duas séries.
Na série de três pinturas a pastel seco (50x60 cm), inspiradas em fotografias aéreas de paisagens, traduz-se a imensidão da natureza em grandes campos de cor, onde tons subtis e variações cromáticas se repetem, criando uma narrativa visual harmoniosa. As formas abstratas, porém reconhecíveis, convidam o observador a percorrer caminhos imaginários, como se vistas do céu.
Em contraponto, uma segunda série, também em pastel seco, revela o poder do desenho puro: rostos femininos emergem com linhas precisas e gestuais, onde o traço ganha protagonismo. A delicadeza do papel Lokta acentua a organicidade das figuras, reforçando a dualidade entre precisão e liberdade.
Complementando a exposição, uma peça em relevo suportada em arame revestido a folhas de Lokta introduz um elemento tridimensional. Pintada com aguarela e pastel, essa peça orgânica intercala superfícies fechadas e abertas, criando jogos de transparência e solidez, com três borlas pendentes em fio de algodão.
«Liberdade de Linha e Forma» é um convite a refletir sobre os limites (ou a falta deles) entre o planeado e o espontâneo, entre a representação e a abstração. Uma ode à beleza do acidente controlado e à poesia que nasce quando linha e forma se encontram sem amarras.

PROJETO  - EU E O OUTRO

Estudos e peças sob o tema «Eu e o Outro em diálogo com a Espiral», no âmbito da disciplina de Arte e Projeto, no ano letivo de 2025-26.

Esta instalação convida o observador a uma jornada introspetiva e relacional, tendo como fio condutor a espiral — forma primordial que simboliza o crescimento, a evolução e a viagem simultaneamente para dentro e para fora de nós mesmos. A obra propõe uma reflexão sobre como o autoconhecimento ("Eu") se entrelaça inextricavelmente com a consciência do sofrimento e da humanidade partilhada ("os Outros"), num diálogo contínuo e orgânico.
A peça central, uma colagem e pintura acrílica, funciona como o coração narrativo da exposição. Nela, um rosto parcial  a preto e branco, que simboliza o EU. Uma colagem de tirinhas de texto de revista, um olho vazio pintado a acrílico negro, de onde brotam pequenas silhuetas humanas que escorrem pela cara — o Outro.  Esta rotura no rosto poderá ser entendida como lágrima.  As espirais pintadas ou coladas atuam como um campo de força que conecta estes universos, sugerindo que a compreensão do Outro (macrocosmo mundial) começa no EU (microcosmo pessoal).
Duas caixas, ao lado uma da outra, suportam simbolicamente o «Eu», onde se encontra embutido um espelho convexo e o observador se pode ver refletido, imagem distorcida do Eu, e a outra caixa, simbolizando «o Outro», suporta uma moldura digital onde imagens e sequências de vídeo sobre a guerra em Gaza e os refugiados do Mediterrâneo nos relembram a desgraça alheia. Este conjunto explora a tensão entre a autoconsciência individual e a consciência coletiva do sofrimento dos outros. Ela materializa fisicamente o abismo que muitas vezes separa a perceção íntima de nós mesmos da perceção, frequentemente mediada e distante, da dor dos outros. O espelho convexo reproduz um «Eu» deformado, uma perceção distorcida de nós mesmos, tal como a nossa autoimagem interna muitas vezes é. A moldura digital reproduz um loop silencioso, uma colagem de imagens documentais: o bombardeamento de Gaza, o desespero dos palestinianos, barcos superlotados a balançar no Mediterrâneo, rostos de refugiados marcados pelo cansaço e pela angústia. As imagens são reais, mas a sua apresentação dentro de uma moldura digital, limpa e contida, evoca a forma como consumimos a tragédia alheia – através de um ecrã, enquadrada, distante e ao mesmo tempo omnipresente. Esta componente da instalação questiona: Conseguimos ver verdadeiramente o «Outro» enquanto estamos focados na nossa própria imagem distorcida?
Outra componente da instalação expande-se em placas redondas em madeira pintada de negro que emergem da parede como órbitas ou partículas cósmicas. A cor negra evoca o vazio, o desconhecido e a profundidade. As espirais em fio de latão e cobre que as perfuram e se projetam para o espaço real são como trajetórias de vida, energias que atravessam a matéria e se lançam em direção ao outro. A sua projeção física cria sombras dinâmicas, ampliando a sua presença e lembrando-nos que as nossas ações e emoções se estendem para além dos nossos limites físicos.
Por fim, as espirais em arame revestido a fio de algodão colorido introduzem um elemento tátil e interdependente. O fio de macramé, uma técnica de ligação, remete para o artesanal, o cuidado e a construção paciente. O facto de estarem ligadas entre si é uma metáfora visual poderosa para as relações humanas: somos indivíduos únicos (cada espiral de tamanho diferente), mas estamos inextricavelmente conectados. A suavidade do fio contrasta com a dureza do arame, tal como a empatia e a comunidade podem revestir e transformar a estrutura rígida do eu isolado.
Em conjunto, esta instalação multifacetada propõe que a espiral da vida não é um caminho solitário para o self, mas um movimento expansivo e contínuo que nos enreda na teia da humanidade. O "Eu" só se compreende verdadeiramente em diálogo constante, por vezes doloroso, sempre transformador, com os "Outros". A espiral, portanto, não tem fim; é um convite para seguir em frente, girando, questionando e conectando.

SIMBOLOGIA DA ESPIRAL E EXPLORAÇÃO DE IDEIAS INICIAIS
PARA INSTALAÇÃO DE PROJETO

ESTUDOS SOBRE PAPEL MIXED MEDIA A3

APRESENTAÇÃO VISUAL EM CHATGPT

Apresentação visual da imagem «Eu e o Outro»-ChatGPT.png
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